Ilustração: Vânia Medeiros
Sento à minha beira
e vejo o tempo em carreira
pelos trilhos de meu corpo.
O meu pensamento,
besouro gordo, desata a voar
e eu explico:
um besouro não é um pássaro,
não tem penas.
Essa dor que me dói
na boca do estômago,
nas mãos e nas pernas,
essa dor de meus olhos
é o tempo rugindo.
O que não sofro, sinto.
E a vida a esta hora,
tremenda em meu corpo,
a vida que passa,
trespassa sua locomotiva
em meu coração.


6 comentários:
Tempo, tempo, tempo, nada que não aguento, coração urgente, sentimentos lentos.
J.
Lindíssimo! :)
Preta (aprendi contigo o valor desse vocativo), a saudade que eu tenho de ti vou matando aos poucos por aqui, lendo palavras como essas, cheias de sentido pra mim. A gente sempre se encontra.
Beijo grande.
Minha cara,
eu sempre me delicio quando passo por aqui. Essas suas palavras me invadem.
saudade de seu riso grande.
Haja boniteza.
Beijos e beijos.
mocinha,
tem algum local, lá na bienal do livro, que esteja vendendo seu livro?
um-beijo!
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