Ilustração: Vânia Medeiros
O chuveiro do sítio ficava do lado de fora,
era gelado e cercado de palhas.
Eu ia no sítio pelo menos uma vez ao ano
e ficava quase o mês inteiro.
Elias tinha 17 anos e me espiava tomar banho
escondido por entre as frestas
do portão da casa pequena.
Eu fingia não vê-lo e quase sempre me banhava
dando-lhe as costas, me lavava com certo pudor.
Nos dias em que eu me achava com beleza
e desejos, eu me virava e desvirava,
eu dançava pra Elias, eu perdia os medos.
Nesses dias, o banho se alongava,
eu esfregava muito o sabonete pelo corpo
pra que o cheiro recendesse por todo o redor.
Elias, de vez em quando, entrava em casa à noite,
de cabeça baixa, não se demorava.
Elias era tímido, mas eu achava ele contente.
Eu não queria namorar Elias, eu queria namorar
os pensamentos dele.


3 comentários:
Você faz parte das grandes constelações.
Um beijo desse tamanho.
Fiquei verdadeiramente contente com a sua visita.
Sempre me encanto por aqui.
beleza, Raiça
Postar um comentário